Inseminação artificial em cães

Inseminação artificial em cães
 (Por: Silvia Edelweiss Crusco) *

Ela tem várias indicações como: não aceitação do macho pela fêmea ou vice-versa, diferenças de tamanho e peso dos cães, auxiliar quando um dos dois possui algum tipo de dificuldade na monta natural por causa de problemas físicos (p.e. discoespondilite), manejo do canil e diminuição de distâncias geográficas, uma vez que o sêmen resfriado e congelado podem ser transportados.
Primeiramente é necessário que tanto o macho como a fêmea a serem utilizados estejam bem de saúde, não possuindo nenhum sinal nem sintoma de doença infecto-contagiosa ou seja portador de anomalia genética. E que o cruzamento seja desejável em termos de padrão da raça em questão.
Quando estes fatores estão de acordo, deverá ser realizado um exame andrológico no macho para verificar se está tudo normal dentro da esfera reprodutiva. Um dos ítens deste exame é a análise do sêmen, onde são verificados parâmetros seminais como motilidade, vigor, concentração, pH e morfologia espermáticas. Uma vez verificada a qualidade mínima para utilização do sêmen, este poderá ser utilizado fresco ou puro, diluído, resfriado ou congelado.
Para a fêmea é necessário que a mesma esteja no momento ideal de ser inseminada, ou seja, seu óocito em condições de ser fertilizado. Para tal devemos realizar exames que nos auxiliarão em determinar o período no qual isto irá ocorrer ou até mesmo o dia provável. Estes exames são citologia vaginal e dosagens hormonais (progesterona e hormônio luteinizante). Uma vez identificando o momento ideal de realizar a inseminação, a mesma poderá ser feita via vaginal ou cirúrgica, dependendo da qualidade do sêmen e do tipo de tecnologia à qual ele foi submetido.
Os resultados são os melhores possíveis, chegando à índices de 90% de prenhez positiva com o nascimento de filhotes lindos e saldáveis. Vale a pena aprender.

FONTE:
* Médica Veterinária

Mestre em Reprodução Animal - VRA-FMVZ-USP

Profa. Adjunta das disciplinas de Reprodução, Obstetrícia e Inseminação Artificial das Faculdades de Medicina Veterinária: UNIP e UNISA

Especialista em Reprodução em Pequenos Animais

 

 

 Inseminação Artificial - Esclarecendo dúvidas

Apesar da técnica de inseminação artificial ser bem antiga, a primeira foi realizada em cães em 1790, muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre o procedimento. Vamos esclarecer algumas delas:

Em que casos é preciso recorrer à inseminação artificial?
Diferenças de tamanho entre os cães, não aceitação por parte de um ou ambos animais, opção de manejo do canil, utilização de sêmen resfriado ou congelado.

Qualquer raça de cão pode ser inseminada?
Sim, não existem empecilhos quanto a isto.

Existem raças que tenham dificuldade de acasalar e seja preciso recorrer à inseminação artificial com maior freqüência?
Sim, bulldogue inglês, bulldogue francês e pugs.

A técnica usada na inseminação artificial produz dor na fêmea ou no macho?
Não. No caso da fêmea, a pipeta introduzida na vagina é fina e flexível, não causando nenhum desconforto ou dor. Nem mesmo traumatismo. E no caso do macho, a técnica de colheita manual não produz nenhum tipo de problema. Desde que feita por um profissional especializado.

 É necessário sedar ou anestesiar o animal?
Com sêmen fresco ou resfriado não é necessário.

Existe a possibilidade da inseminhação ocasionar algum problema na cadela, como infecção uterina?
Nenhuma, desde que o material utilizado seja higienizado, estéril e descartável.

Qual o melhor dia para inseminar a cadela?
Isto vai depender de um acompanhamento da fase do ciclo estral, que pode ser realizada monitorando as células vaginais (citologia vaginal) ou dosagens hormonais (progesterona). Muitas vezes, o dia que os criadores mais utilizam (sem este devido acompanhamento) não é o ideal.

Qual a chance da fêmea ficar prenhe?
Para as fêmeas inseminadas é de 80%, em média.

O número de filhotes que nascerão através inseminação será menor do que em um acasalamento natural?
O número de filhotes resultantes pela técnica de inseminação artificial é semelhante ao de uma monta natural.

 Cadelas que ficaram prenhes por inseminação artificial terão partos normais ou precisarão de cesariana?
Parto normal, desde que a raça não tenha tendência à cesarianas, como naturalmente ocorre em bulldogues.

O sêmen do cão pode ser congelado, como nos humanos?
Sim, o sêmen pode ser usado fresco, resfriado ou congelado.

É possível inseminar mais de uma cadela com o sêmen coletado de um macho?
Cada coleta normalmente insemina uma só fêmea. Mas se o sêmen for de altíssima qualidade, até duas ou três fêmeas.

 O macho que passa pela coleta manual do sêmen vai conseguir montar naturalmente depois?
Sim. Mesmo colhendo o sêmen manualmente ele nunca deixará de cobrir fêmeas que estejam no cio.

O cão e a cadela devem ser levados à clínica no mesmo dia?
Se for usado sêmen puro (fresco), os animais devem ser levados no mesmo dia. Se for utilizado sêmen resfriado, ele ficará refrigerado e poderá ser utilizado em até 48 horas. Já o sêmen congelado é armazenado em botijões de nitrogênio líquido e pode ser usado por um longo período após a coleta.

Como é possivel saber se a cadela ficou prenhe?
A melhor maneira é levar a cadela para uma ultra-sonografia ao redor de 25 dias após a data da inseminação.

Que profissional está apto a fazer a inseminação artificial?
Ela deve ser feita somente por um médico veterinário com experiência.

A inseminação artificial é um procedimento caro?
Não, tendo em vista que o resultado é a gestação positiva, fator este que não existiria na monta natural.